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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

ÁFRICA EM SALA DE AULA



Meu projeto Recriando Olhares... trouxe nos meses de outubro e novembro a África para sala de aula, com o objetivo de recriar olhares para nossa ancestralidade tão estigmatizada com os olhos da pobreza, míséria e conflitos políticos em prol da riqueza e diversidade de sua cultura que resistiu ao saque europeu (de homens escravos e riquezas), não favorecendo a alta auto estima dos nossos jovens afro descendentes.

PRIMAVERA AFRICANA

Em minhas andanças a procura de África conheci uma senhora chamada Rivanilda moradora de Bangu e depois de muitos troca-troca soube que faz um trabalho maravilhoso: "Desfiles Fashion Afro", no qual organiza eventos e viaja para vários locais. Como "Rede de Relação" é tudo (já diz minha coordenadora pedagógica Sandra Vivoni) trocamos telefone e já pensamos numa possível parceria, que concretizou-se numa oficina que entitulamos "Primavera Africana".

A escolha foi trabalhar com o grupo étnico Ndebele da África do Sul e para isso contextualizamos com vídeos sobre a cultura Ndebele no mundo.

                                                                       


Fiquei pasma quando vi que existia uma coleção Afro Mania de melissa. Deve ter esquecido de anunciar na TV...!?!?!? 


Após os vídeos e depois de um bate papo sobre diversidade cultural e invisibilidade, inspirados nessa arte alegre e peculiar africana colocamos a mão na massa e iniciamos o trabalho.

 

(Pintura em tecido)

OBJETIVO GERAL: Recriar olhares para o continente africano incorporando a proposta os objetivos previstos na Lei federal 10.639/03, apresentando-o como berço da humanidade através da apresentação e valorização das manifestações culturais e artísticas da etnia Ndebele na África do Sul, trabalhando as origens étnicas e culturais dos jovens a fim de fazê-los identificarem-se como pessoas afrodescendentes, desmistificando conceitos pejorativos relacionados a cor da pele e a situação social, assim como a hierarquia cultural onde uma é superior a outra.

  
ATIVIDADES:
- Apresentação do continente africano;
- Apresentação da cultura e artes da etnia Ndebele (África do Sul)
- Confecção de bonecas de tecido Ndebele
- Confecção de painel “Vida em Ndebele”

                                 Com os tecido secos, corte e colagem para preparar as bonecas de pano Ndebele











A atividade foi um sucesso e possibilitou que falássemos de outros assuntos ligados as questões raciais como preconceito, racismo, discriminação e respeito a diversidade. as bonecas serão expostas na Semana da Consciência Negra de 16 a 19/11.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

RECRIANDO OLHARES EM PROL DE UMA CONSCIÊNCIA NEGRA - "Oficina Cabelo, cabelo nosso..."

CABELO, CABELO NOSSO... Pela valorização dos cabelos crespos!



Equipe Projeto (Eu, Rosane, Elaine, Bárbara e Paula)

Pensando em desenvolver atividades compromissadas com as Relações Étnico Raciais, escolhi o tema diversidade com 4 focos: Social, Cultural, Físico/Psicológico e é claro no Étnico que é o pano de fundo de todo o trabalho. Nesse espaço vou compartilhar os objetivos do trabalho sobre diversidade étnica para que inspire outras iniciativas.

 DIVERSIDADE ÉTNICA
“... as populações africanas e afro-descendentes são e foram submetidas a um longo processo de silenciamento. As referências à História e às culturas desses grupos eram quase inexistentes nos currículos escolares (...) nesse processo de resgate, devem ter vez e voz os protagonistas de uma história que, para prejuízo de toda a sociedade brasileira, foi longamente ignorada e distorcida.” (A cor da cultura – Caderno de Metodologia, Modo de Sentir – pag.14)
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
  • Incentivar a construção de identidades reconhecendo e valorizando nossas origens e descendência afro-brasileira;
  •  Reconhecer a existência do racismo no Brasil e trazer a lógica do preconceito racial para discussão, tirando-o da normalidade;
  • Combater a naturalização as desigualdades.
OFICINA "CABELO, CABELO NOSSO..."

OBJETIVO DA OFICINA: Refletir sobre discriminação das diferenças étnicas, principalmente dos discriminados cabelos crespos numa perspectiva de valorização do que é fruto da miscigenação brasileira e de nossa herança africana.

Demos início ao nosso trabalho a partir da Contação de Hhistória do livro "O mundo começa pela cabeça" das Edições Paulinas. Neste momento o assunto da diversidade dos cabelos, valorizando os "marginalizados" cabelos crespos é colocado na pauta das discussões.
Ao sair desse momento a tarefa era pesquisar na internet fotos de belos cabelos crespos

 (Professora Shanna Carolina de inclusão digital em parceria com a temática - com o produto da pesquisa dos jovens será realizado um vídeo em homenagem aos cabelos crespos para apresentar na Semana da Consciência Negra)


Dando seguimento ao tema dos cabelos num outro dia realizamos a oficina tendo como  estratégia dividir 2 grupos de meninas e meninos para que a abordagem fosse realizada de forma específica. Geralmente são as meninas vítimas das ofensas referentes aos seus cabelos, que por cultura são utilizados na forma comprida deixando amostra seus fios e formas.
A escola enquanto espaço pervesso dessas relações étnicas raciais, e os professores despreparados, encarando o assunto como mais uma forma de bulling, não intervem de maneira eficaz, silenciando essa questão e deixando de tratar o tema como algo sério do nosso amargo meio social e suas manifestações racistas e discriminatórias.


                            MEDIADORA CONVIDADA: Historiadora e tranceira Rosane Libano
 A professora Rosane Libano contou sobre a história dos cabelos e suas diferenças e indagando as meninas quanto seus tipos de cabelos. 
Nenhuma menina percebe-se de cabelos crespos, são lisos ou cacheados.
 A professora conta sua história de relação com seus cabelos crespos, apresenta fotos de penteados e tranças e ensina a fazer o dread.




                                                                                            Os meninos confeccionando tic tac para presentear as meninas depois de um papo sobre cabelo e discriminação racial com a professora Elaine Alves.



  
 No segundo momento as meninas tiveram a oportunidade de tocar em seus cabelos, e pentear-se utilizando os tic tac produzidos pelos meninos, como um pedido de desculpas dos gestos hostis que alguns tem com as meninas por causa de seus cabelos e como forma de valorizar a diversidade dos cabelos.  






 A atividade cumpriu seus objetivos mais também serviu para percebermos que o trabalho com esse tema ainda está só começando, precisamos ainda ter muita sensibilidade de ouvir e observar cada estágio das crianças. Temos crianças negras que se desenham com cabelos loiros. Tem alguma coisa de errado nesse espelho que se olha e se nega!!! Nós professores temos que está atentos para identificar essas questões e de maneira muito positiva abordar o assunto.
Viva a diversidade!








terça-feira, 27 de setembro de 2011

MÃE NÃO EXISTE NENHUM SUPER HERÓI PRETO!!!!!!


 

Após meu filho de 4 anos ter a percepção das injustas relações raciais brasileiras e ainda protestar o fato de não haverem super heróis negros que possa identificar-se, e eu na tentativa de consolá-lo e acalmar os ânimos dei uma desculpa que somente retarda o futuro papo sobre racismo e sociedade, que em breve terei que ter com ele para que possa entender e sobreviver nessa sociedade "igualitária", por conta de sua cor de pele, precisei correr atrás do prejuízo !!!!
Comecei  a estudar e pesquisar sobre as questões raciais na educação brasileira. Conheci muito gente boa e troquei informações com irmãos que vivem os mesmos processos em casa!!!! Abri várias oportunidades de discussões sobre o tema e para diminuir minha angústia sempre arrumavam algum "super-herói coadjuvante" para consolar minha aflição!!!!!
Onde estarão os protagonistas!?!?
Estamos em pleno século XXI em um país cujo a Constituição Federal diz que somos iguais perante ela!!!! Iguais em relação ao que, se somos tratados com diferença e invisibilidade?!!!!
Para um país mestiço tínhamos a obrigação de produzir brinquedos, revistas e personagens com a nossa cara!!! Que democracia racial é essa!?!? Entrei outro dia nas Lojas Americanas e no seu encarte de dia das crianças só haviam crianças brancas... as bonecas todas loiras de olhos azuis!!! Como assim?!!!!! Nossas crianças negras não consomem!?!? Somos obrigados a conviver somente com esse tipo de brinquedo, nossas crianças brancas não terão outros modelos que não somente as reflitam!?!? Como desenvolver o respeito e a valorização da diversidade!!!!
E depois querem criticar o regime de cotas...
Andanças e mais andanças encontro-me com um lindo personagem chamado KIRIKU que para mim é o "Super herói" de todos os super herois!!!!!
Um menino africano que dá um show de moral e valores humanos, desenho que em meus trinta e poucos anos nunca havia me deparado com coisa parecida!!!! Fiquei muito emocionada e vi meu filho ao terminar de assistir se auto denominando de Kiriku:
- "Ô mãe, eu vou ser o Kiriku. Quero ver de novo. Compra mais pra mim!!!!"
 Naquele momento percebi que era daquilo que nossas crianças pretas precisam, referências fortes e boas que retratem nossa diversidade humana e que lhe possibilite se enchergar no outro positivamente!!
Tão simples e tão complexo pois, sensibilizar os produtores que em sua grande maioria fazem parte de uma elite branca e dominante, que cresceram com modelos, bonecos e bonecas loiras do olhos azuis, e que são educados invisibilizando o não-branco, pois estes lhe servem como elemento de exploração... Valorizar e contemplar a diversidade não deve está em primeiro plano!!!!
Com a dor e inconformidade de constatar essa cruel injustiça racial e social é que tive forças para buscar exaustivamente, catucando aqui e ali, pois não localizamos obras similares nas maiores redes comerciais, cheguei ao encontro de outros bons personagens que pude trazer para o universo de meu filho, e aos poucos trabalho as questões étnico-raciais em casa e no contexto do meu trabalho.




Trailer do filme - Encontrei dublado nas Lojas Paulinas (Edições Paulinas)



Agradeço ao amigo João Olinto que me apresentou ao Super Shock e gravou a 1ª e 2ª temporada para que Denzel se acabasse de ver um super herói preto e protagonista, embora não tão famosos quanto o Batmam e Super Homem!!! Com o contato começou a se intitular como Super Shock e queria muito levar o vídeo para escola para mostrar a seus amigos!!!



Alguns Livros que apresentei para meu filho:





Esse livro é recomendado em muitos projeto de educação para o desenvolvimento de trabalhos que valorizem a criança negra elevando sua auto estima, mais o trabalho não é puro e simples assim!!!
Quando Denzel teve contato com o livro inverteu toda a história, pois disse que como queria ter filhos brancos, ao contrário do coelho que passa a história toda admirando a cor da pele da menina, que iria casar-se com uma menina branca para que seus filhos tenham uma pele mais clara que a sua!!! Dorme com essa!!!! O trabalho por aqui será árduo!!!!! Mais a luta continua!!!!




Indico também a livraria dedicada a livros étnicos. Por lá é possível conhecer outros muito títulos que estão ainda nos "guetos" populares!!!!!!!


Espero está contribuindo!!!!
Abraços a todos!!!
A luta continua...
Viviane Rodrigues

Mensagem para refletir:




domingo, 4 de setembro de 2011

"MÃE, EU NÃO QUERO MAIS SER PRETO!" Tudo começou assim...

No meado de 2010 eu, mãe de um lindo negrinho chamado Denzel (lógico que é por causa do Maravilhoso Denzel Washington) gozando de seus 4 anos de idade, ao chegar do trabalho, como rotineiramente faço,  querendo saber como foi seu dia no integral da escola, enchendo-lhe de perguntas que geralmente são respondidas com um curto relato: -“foi tudo bem”, percebi que naquela curta frase havia um olhar cabisbaixo não habitual!
Desejando saber um pouco mais sobre aquele olhar fui surpreendida com a seguinte afirmativa:

- “Mãe eu não quero mais ser preto!”


Naquele momento muitos sentimentos que acreditei já terem sido superados vieram à tona, como uma novela em meus pensamentos, cenas e situações do meu passado que já justificaram essa mesma frase no íntimo do meu coração, mas que nunca externalizado como naquele momento ousado e inconformado!

Tentei manter a serenidade para saber quais eram os motivos que o levavam a fazer tal protesto, e com muita revolta Denzel respondeu que seus coleguinhas de escola disseram-lhe que sua cor era a cor de coco e por isso riam dele! 

Fiz de tudo para não transparecer minha indignação e na tentativa de levantar sua auto-estima, logo respondi:
- “Como pode um garotinho tão lindo, cheiroso e gostoso ser comparado a um coco!? Acho muito mais parecido com uma deliciosa barra de chocolate ou com um cafezinho gostoso e quentinho...” e o enchi de beijos...
Vendo seu rostinho ainda descontente com um lindo biquinho, em seguida tentei indagar se ele também gostaria de sair dessa família, pois se todos nós somos pretos e nos orgulhamos disso, como eu poderia ter um filho branco!?
Ainda não contente com meus argumentos Denzel questionou o fato de não existir nenhum super-herói preto, e que nos momentos de brincadeira da escola, os colegas não aceitavam que ele fosse personagens como Super-homem, Bem 10 ou Homem Aranha porque não são parecidos com ele!

Com meu coraçao apertado sabia que ele tinha toda razão com relação a falta de super-heróis e personagens de sucesso negros, mas ainda assim respondi que no mundo do faz-de-conta, todos poderiam ser quem quisesse, independente de parecer ou não com determinado personagem.

Tudo isso foi muito embaraçoso, pois ontem eu fui a criança vítima de todas essas discriminações raciais em meus vários ambientes sociais e hoje sou mãe de mais uma criança que, em pleno século XXI ainda é vítima desse mal que a população negra brasileira ainda é submetida, o RACISMO!!!!! Um mal que parece não se estancar...

Procurei a escola para saber que tratamento estavam dando a estes tipos de questões, e responderam não terem presenciado nenhum tipo de conflito parecido. Uma professora, que aliás tenho muito carinho, depois de meu relato, com as melhores de suas intenções transbordou o balde de despreparo com as questões raciais, pois foi capaz de abraçá-lo e dizer: “Meu lindo, não fica triste com essas coisas, aliás, “você nem é preto, você é moreninho igual a tia, ó!" (comparando os tons de peles)
Quase caí para trás!!!!! De imediato corrigi sua colocação, mais que equivocada, dizendo que ele é preto sim, assim como sua mãe e seus familiares, (não aquele que é preto, mas é bonito) mais sim um preto muito lindo e inteligente que não deve se abater com colegas que falam esse tipo de bobagem!

Neste momento percebi que se dependesse da ajuda da escola para esse tipo de apoio, a briga estava perdida, pois por mais amorosas e cheias de boas intenções não estavam preparadas para agir em prol de uma educação anti-racista, tão pouco estavam alicerçadas com a lei federal nº10.639/03, que na ocasião era pelo menos 3 anos mais velha que Denzel!!!!!
Muitas reflexões me fizeram sair de todos esses anos em estado da inércia, pois como uma professora graduada em Pedagogia e História não poderia permitir passar por tudo isso novamente sem nenhum posicionamento efetivo que pudesse abranger um número maior de pessoas em prol do combate ao racismo na educação.
O somatório da minha própria história, mais esta questão com meu filho em pleno Jardim II, além das observações do meu dia-a-dia como educadora de um projeto social com jovens da comunidade de Manguinhos, deram pernas para a criação do “Projeto: Recriando olhares em prol de uma Consciência negra em Roda de educadores”, objetivando contribuir com os esforços das esferas públicas por uma educação anti-racista, de maneira militante, levando aos espaços educadores discussões e reflexões que possibilitem recriar olhares sobre as questões étnico-raciais brasileiras fundamentada pela lei federal 10.639/03, viabilizando uma melhor elaboração de práticas pedagógicas em favor de uma educação pela valorização das diferenças na construção de igualdades.
E este é o 1º ato dessa história da vida real!
Viviane Rodrigues Santos Angelo